Que défice face aos homens?

O défice na dor

Durante este estudo, nas conversas tidas com mulheres, a dor surgiu com uma frequência inesperada. A dor “afiada”, “aguda”, “cortante”, foram expressões que surgiram espontaneamente nos relatos de diferentes mulheres entrevistadas. Vários foram também os relatos de dores que as acompanham ao longo de anos, muito para além de eventos em que ela é expectável e, em vários casos, tendo começado antes da menopausa, altura em que alguns tipos de dor se tornam mais frequentes.

Tenho uma hiperlordose lombar, uma esclerose cá em baixo e outra cá em cima. Eu já estou tão habituada a dores, aos 16 anos soube que tinha este problema. (…) A partir daí, foi aprender a viver com dores.
M, 53 anos divorciada, 3 filhos, na menopausa

Vários estudos, além do nosso, sustentam que a dor crónica afeta muito mais as mulheres do que homens, sendo que em 30% dos casos acontece mesmo sem qualquer doença diagnosticada. A distância entre sexos verifica-se também na frequência (76% das mulheres sentiu dor recentemente vs. 51% dos homens) e no volume da dor (47% das mulheres com duas ou mais dores vs. 40% dos homens).

 

Seja porque a dor ainda é negligenciada por parte das mulheres e de alguns profissionais de saúde, seja porque se torna difícil atuar sobre a sua causa, porque faltam terapêuticas no âmbito da saúde pública ou porque as próprias mulheres são relutantes na toma de analgésicos, muitas queixas de dor parecem estar a ser inadequadamente tratadas. O resultado é a acomodação ao desconforto e a normalização do sofrimento.

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